Pré-Projeto de Mestrado

Pré-Projeto de Mestrado

Por Francisco Antonio Lopes de Farias
Mestrando em Computação Aplicada – Universidade de Brasília (UnB)


Introdução

No desenvolvimento de software, especialmente em ambientes institucionais como a Procuradoria Geral do Distrito Federal (PGDF), a Engenharia de Requisitos (ER) deveria ser um dos passos fundamentais para garantir que as necessidades dos usuários sejam corretamente capturadas e atendidas. Contudo, observa-se uma lacuna significativa: a ausência de fluxos de trabalho que traduzam as reais expectativas dos usuários em soluções tecnológicas eficazes, gerando insatisfação e baixa entrega de valor.

Este post apresenta uma pesquisa que investiga a integração da Experiência do Usuário (UX) na Engenharia de Requisitos dentro do contexto ágil, utilizando o framework Scrum, com o objetivo de melhorar a qualidade dos sistemas desenvolvidos para a PGDF.


O Problema

A PGDF enfrenta desafios na criação e manutenção de sistemas críticos para demandas jurídicas e tributárias. Apesar do conhecimento sobre ER e UX, a aplicação prática ainda não atende às expectativas, principalmente pela falta de processos que incorporem a experiência do usuário como parte essencial do backlog do produto.

Essa desconexão resulta em frustração para procuradores, contribuintes e servidores, que sentem que suas necessidades não são devidamente consideradas durante o desenvolvimento.


Contexto da Pesquisa

A pesquisa foca na criação de fluxos de trabalho específicos para órgãos jurídicos governamentais, combinando elementos de UX com metodologias ágeis como o Scrum. A proposta visa integrar artefatos de UX como, por exemplo, protótipos de alta fidelidade e mapas de navegação, na Engenharia de Requisitos para identificar precocemente problemas de usabilidade e reduzir custos de correção.


Fundamentação Teórica

Estudos recentes destacam a dificuldade de integrar ER, UX e metodologias ágeis de forma eficaz. Revisões sistemáticas e casos práticos indicam que, embora existam ferramentas e frameworks, ainda faltam modelos consolidados que unam esses domínios, especialmente em contextos institucionais.

Um exemplo inspirador é o aplicativo UXAPP, desenvolvido na UnB, que utiliza reconhecimento de emoções para medir continuamente a experiência do usuário, demonstrando a importância da inovação para alinhar necessidades dos usuários ao ciclo de desenvolvimento.


Metodologia Proposta

A abordagem metodológica divide-se em três etapas principais:

  1. Diagnóstico: Levantamento das práticas atuais em Procuradorias por meio de entrevistas e análise documental para entender as necessidades e desafios enfrentados.
  2. Desenvolvimento do Modelo: Criação de um modelo que integra formalmente artefatos de UX na elicitação, análise e validação de requisitos, alinhado ao Scrum.
  3. Avaliação: Aplicação do modelo em um projeto real em Procuradoria brasileira, utilizando métricas de usabilidade, custos e satisfação do usuário para validar os resultados.

Além disso, será adotada a metodologia CRISP-DM para mineração de dados, permitindo identificar padrões no feedback dos usuários e transformar esses insights em histórias de usuário no backlog do produto.


Conclusão

Integrar a Experiência do Usuário na Engenharia de Requisitos, especialmente em ambientes ágeis, é essencial para aumentar a eficiência e a satisfação dos usuários em sistemas institucionais críticos. A pesquisa proposta busca preencher essa lacuna na PGDF, promovendo uma abordagem inovadora que alia UX, ER e Scrum para entregar maior valor ao serviço público.


Referências Selecionadas

  • Fraga, B. & Barbosa, M. (2017). A Engenharia de Requisitos nos métodos ágeis: uma revisão sistemática da literatura.
  • Escalona, M. J. et al. (2024). UX/UI integration in a Scrum software development process: A case study.
  • Santos, P. et al. (2023). The Use of UX Artifacts in Agile Software Development: A Multiple-Case Study.
  • van Erven, R. C. G. S. (2024). UXAPP: Evaluation of the User Experience of Digital Products through Emotion Recognition.


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